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MINDFULNESS E MEDITAÇÃO

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21.03.2019

MINDFULNESS E MEDITAÇÃO

Antes de começar a escrever, desliguei meu celular, encerrei todos os aplicativos do meu computador, fechei os olhos, observei minha respiração, minhas emoções e o estado da minha mente, preparando-me para a tarefa. Fiz tudo isso para estar totalmente presente, sem dispersões, a fim de otimizar o meu tempo. Apesar de parecer que estava iniciando um treinamento de meditação, não o fiz com a intenção de meditar, muito menos de reduzir o stress, como sugerem diversos artigos, professores e estudos sobre mindfulness, como um da Universidade Carnegie Mellon, na Pensilvânia, EUA, chamado “Como o treinamento de mindfulness afeta a saúde?”


A SENSAÇÃO DE QUE O TEMPO “VOA”  PODE INDICAR FALHA DE ATENÇÃO


Menos de 4% das nossas ações cotidianas são conscientes. Mindfulness é a chave para desfrutar cada momento e atingir a alta performance.  


Se você achou que o ano passou muito rápido, é provável que não tenha vivenciado plenamente cada etapa da sua própria vida no período. E se não quer que essa percepção de tempo acelerado seja uma constante, é preciso apenas prestar atenção. Essa mudança pode manter uma série de distúrbios distantes da sua cabeça e melhorar sua performance em tudo.


Que atire a primeira pedra quem nunca conferiu os e-mails ou mensagens de texto durante uma refeição. Achamos que ganhamos tempo unindo duas ações, quando, na realidade, não executamos nenhuma delas direito.  Entre os problemas atribuídos ao hábito de não estar presente estão agitação e ansiedade, dificuldade de relaxar, de aprender coisas novas ou de mudar o mindset, muito cansaço e até sensação de esgotamento.


A dica para manter tudo isso bem longe é o mindfulness, a ciência do desenvolvimento da consciência, que numa tradução literal significa “atenção plena”: estar presente em tudo o que faz. Apesar de parecer algo simples, o conceito demanda treino, mas os resultados compensam.


A NEUROCIÊNCIA CONFIRMA


De acordo com a neurocientista e também Diretora de uma das escolas do DeROSE Method® em Paris Renata Coura estudos da área mostram que de 96% a 98% das nossas ações cotidianas são executadas de forma automática, com comportamentos condicionados. Para quebrar esse padrão, é necessário oferecer um

estímulo diferente ao cérebro, exercitá-lo assim como fazemos com o corpo quando executamos qualquer atividade física. E uma forte aliada nessa hora é a meditação.


MINDFULNESS, O QUE É?


A melhor definição para mindfulness é “be here now”. Trata-se de manter atenção, concentração e foco em tudo o que fazemos.  


O que veio a ser chamado de mindfulness foi trazido para o Ocidente por Jon Kabat-Zinn, na década de 1970. Ele se fundamentou em conceitos orientais sobre o funcionamento das emoções e da mente para fundar um programa de redução do stress baseado em estar mais presente (be here now). Mas por que será que a cultura ocidental insiste em transformar tudo em terapia? Nem o mindfulness nem a meditação (que surgiu milênios antes do budismo) tinha o intuito de aprimorar a saúde, mesmo que apresente este resultado como efeito colateral positivo. É como a dança, as artes marciais e os esportes, que não foram criados com o propósito de emagrecer, mesmo que o treinamento constante possa resultar na perda de peso.


Não há dúvida de que ambas as modalidades, mindfulness e meditação, produzam efeitos positivos sobre a saúde física, emocional e mental, porém isso são apenas consequências. A finalidade desses exercícios é simplesmente de não deixar que a mente racional, influenciada pelas emoções, interfira na sua percepção da realidade e não bloqueie o processo de intuição, pois este é muito mais eficiente que o processo mental. O resultado disto é ser mais consciente no dia a dia, trazer à consciência hábitos, padrões e decisões que, em sua maioria, acontecem de forma tão automática que se tornam invisíveis para nós mesmos na maior parte do tempo.


Meditação consiste em parar de pensar a fim de permitir que a consciência se expresse através de um canal mais sutil, mais profundo, mais abrangente, que está acima da mente. Antes da meditação, podemos, facultativamente, praticar uma técnica preparatória: o mindfulness.


Mindfulness designa o exercício de observar seus cinco sentidos. Se analisarmos a palavra em inglês, temos “o ato de estar com a mente presente”. Ou seja, não estar disperso.


Estar presente constitui a primeira etapa para a meditação mais autêntica, proveniente de filosofias orientais de mais de 5000 anos de existência. O passo a passo para uma meditação genuína: abstrair os sentidos, concentrar-se em apenas um objeto (visual ou sonoro), manter a concentração até que a mente se sature e o processo intelectivo cesse de interferir. A mente humana é dispersa por natureza e os processos de condicionamento que recebemos desde que nascemos criam respostas condicionadas que nos fazem agir no modo de piloto automático. É por isso que parar de pensar, algo que na teoria parece tão simples, pode ser um grande desafio que se conquista apenas com anos de treino de meditação e algumas outras técnicas complementares.


Um exercício simples é prestar atenção enquanto comemos. Seja uma refeição ou um sanduíche, o importante é estar “aqui e agora” enquanto mastiga e saboreia cada porção. Olhar e ver o alimento, olfatálo, degustá-lo. Os hindus dizem que devemos saborear os alimentos com os cinco sentidos: devemos olhá-lo, ouvi-lo, cheirá-lo, tocá-lo (na Índia é de bom tom comer com as mãos) e, finalmente, degustá-lo. O ideal é não assistir à televisão, ler ou trabalhar enquanto come. Com isto, você é capaz de se saciar comendo menos. Como bônus, ainda emagrece!


Outro exercício é prestar muita atenção ao ler um livro ou qualquer outra coisa. Abstrair-se de outros pensamentos e do ambiente em torno, e mergulhar totalmente na leitura. Para os estudantes isto é valioso, pois, dessa maneira, frequentemente o conteúdo é absorvido pela nossa memória com uma só leitura. Quando aluno, raramente eu precisava estudar em casa porque praticava o mindfulness em sala de aula. Isto me proporcionava um tempo extra de vida para fazer outras coisas fora da escola.


Ao operar máquinas ou conduzir veículos, o mindfulness proporciona eficiência e segurança. Tudo o que fizermos, será mais bem feito. E ainda minimizaremos a ocorrência de acidentes.

EXERCÍCIO NÚMERO 1:


Respiração consciente


Não precisa fazer nada de diferente. Sentado, em pé ou deitado, apenas preste atenção ao fato de que você está vivo, está respirando. Permaneça alguns minutos só respirando e tenha a plena consciência deste ato. Sem dispersar. Sem pensar noutra coisa.


EXERCÍCIO NÚMERO 2:


Respiração abdominal


Deitado, faça algumas respirações profundas, nasais, prazerosas e silenciosas. Observe que ao inspirar o abdômen sobe e ao expirar ele desce. Procure tornar este movimento diafragmático mais consciente. Quando estiver bem conscientizado, faça o exercício sentado. Repita isto várias vezes: inspire projetando o abdômen e expire puxando-o para dentro.  Só isto. Execute vários destes ciclos respiratórios, bem concentrado no exercício.


MINDFULNESS OU CONCENTRAÇÃO?


No fundo, no fundo, são a mesma coisa sob outra conotação. O mundo caminha há muitos anos na direção do multitasking, ou seja, fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Inclusive, orgulhamo-nos de dizer que temos a habilidade de fazer várias tarefas simultaneamente, ao invés de nos vangloriarmos de sermos capazes de nos focar em uma coisa de cada vez e fazer rápido e bem feito. Segundo o estudo de Harvard “Wandering Mind Not a Happy Mind”, as pessoas passam cerca de 46,9% do tempo fazendo uma atividade enquanto pensam em outra coisa qualquer. Isto conduz à dispersão, predispõe a cometer erros no trabalho e em todas as demais atividades da vida. Tal dispersão também é um importante fator para a infelicidade, pois em vez de desfrutar inteiramente o seu momento presente, a pessoa fica wandering (divagando) sobre o futuro ou sobre o passado ou sobre como seria se fosse diferente. É como a pessoa gulosa que deixa de aproveitar todo o prazer de um delicioso jantar porque fica pensando em uma sobremesa hipotética.


Tanto o mindfulness quanto a meditação são movimentos que ganham força no século XXI como reação à tendência do “deixa a vida me levar”. Os grandes empresários e atletas de alta performance de hoje estão resgatando conceitos de filosofias muito antigas, que já haviam identificado a tendência da humanidade à dispersão, e estão buscando nessas técnicas milenares ferramentas para se tornarem mais conscientes de si, de suas emoções, pensamentos e decisões. Só assim poderão afirmar – como o poema Invictus, que inspirou Nelson Mandela, também conhecido por praticar meditação – “I am the master of my fate: I am the captain of my soul.”


O DeROSE Method enxerga o mindfulness como um procedimento prévio à meditação; e o exercício da meditação como um recurso importante para a evolução humana. No entanto, como parar a instabilidade mental se nossa saúde estiver instável? E se não estivermos emocionalmente estáveis, será que conseguiremos com sucesso ficar com a mente aquietada?  


Sabemos que, para termos condições de nos dedicar totalmente ao exercício mental, é recomendável:


1. cuidar do corpo com uma boa alimentação, técnicas corporais inteligentes e atividades de limpeza orgânica;  


2. cuidar da reeducação comportamental – para isto devemos cultivar boas relações humanas, além de fazer uso da respiração, descontração, relaxamento e de reprogramação emocional, entre outros elementos, todos presentes na estrutura do DeROSE Method.


O alto percentual de automatismo das nossas reações tem um porquê: nosso cérebro em repouso é responsável pelo consumo de 20% da energia do organismo. Se tivermos que raciocinar muito, elevaremos bastante esse percentual.


Ou seja, uma certa “lei do menor esforço” mental é importante para economizarmos energia. Só que isto faz com que, às vezes, tenhamos comportamentos automáticos, os quais nos impedem de alcançar os objetivos desejados.  


Por isso, é importante ter práticas que fazem com que maximizemos o uso da nossa mente como, por exemplo, o mindfulness e a meditação.


Os condicionamentos podem criar alguns obstáculos que dificultam o alcance dos objetivos, dentre eles:


1. Modelos mentais viciados – por exemplo, se você tiver o modelo mental de sempre manter uma expressão carrancuda, isso impedirá que novas pessoas entrem em contato com você, pois a mensagem que recebem é de que você é antipático, hostil.

2. Falta de foco – uma mente dispersa é aquela que não utiliza todo o seu potencial de realização. Todos temos uma capacidade realizadora que é superlativa, mas se não conseguirmos concentrar essa energia para a realização dos nossos objetivos, teremos desperdiçado uma considerável parcela do nosso potencial.

3. Instabilidade emocional – esta é responsável pela perda de clientes, dilapidação de parcerias, destruição de carreiras, comprometimento de amizades, derrocada de relacionamentos afetivos.


4. Baixa consciência corporal – temos uma pequena percepção sobre os nossos processos internos e a nossa fisiologia, o que nos leva a não percebermos quando algum órgão não está funcionando a contento. Em nossos treinamentos, em seguida, damos atenção ao tato interno da nossa circulação sanguínea e, depois, à consciência do funcionamento dos órgãos.


Quando temos condicionamentos automáticos negativos, acabamos não alcançando aquilo que desejamos. Quando os quebramos, abrimos espaço para novos comportamentos que vão desencadear o sucesso e, com isso, novas experiências que retroalimentam aquele círculo virtuoso.


Na essência, a dedicação à conquista de mindfulness e meditação é um processo de autoconhecimento, que constitui uma das tarefas mais nobres, gratificantes e desafiadoras a que um ser humano pode se dedicar durante a sua existência.


Aumentar a sua consciência é uma escolha. Se você estabelecer como objetivo pessoal o conhecer-se mais, a tendência é que conquiste uma sensação de realização, de que vale a pena estar vivendo. Será uma manifestação real da sua existência.  


Hoje, a meditação é muito mais conhecida, mas os ocidentais não entendem com profundidade o significado dessa metodologia tão transformadora.


Isso se deve ao fato de que, na Índia, a meditação é ensinada há mais de 5000 anos. No Ocidente, essa matéria só começou a ser praticada há menos de 100 anos. Ou seja, é um tema muito novo para a maior parte das pessoas, além de não fazer parte da nossa cultura.

Mas o treinamento da meditação é bem simples! Aumentar e manter a consciência sobre os pensamentos, sentimentos, hábitos e ações já nos tira do modo automático de funcionamento.  


DESFRUTE E EVOLUA


O treinamento do mindfulness e da meditação auxilia na conquista de mudanças duradouras de comportamento. Isto porque a prática promove alterações estruturais no cérebro, o que permite que o indivíduo refaça escolhas para chegar exatamente à vida que almeja e, consequentemente, atinja o aumento de performance pessoal e profissional.


Grandes empresas, como a Vivo1 e o Google, já perceberam o quanto seus funcionários ficam mais produtivos quando dedicam alguns minutos do dia para silenciar a mente e disponibilizam salas ou atividades próprias para isto dentro dos escritórios.

                                              

Parte do livro: “MINDFULNESS E MEDITAÇÃO” do Professor DeRose



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